Outro dia, e mais outro, abismado fiquei ao perceber como alguns cientistas (teoricamente aqueles que muito estudaram e em universidades de ponta no Brasil) endeusam a “Ciência”.
Talvez por culpa do currículo da graduação, da filosofia dos professores, ou mesmo por aquela triste coisa de querer validar a área de pesquisa e trabalho; que muitas vezes se torna o ganha pão, o seu tempo, a sua vida; diante do risco (sempre presente) de tudo não passar de nada. Pois simplesmente a idéia pode deixar de existir, ser coisa do passado, diante das “Revoluções Cientificas”, a troca de paradigmas, segundo Kuhn.
USP, e lá vou eu totalmente empolgado, como se estivesse entrando no Terceiro Céu, onde teria acesso a tão maravilhosa ciência; aquela coisa tão objetiva, exata, perfeita, desenvolvido pelas pessoas mais incríveis do mundo, talvez aqueles que deveriam ocupar Olímpio e que certamente deveriam ter a mais incrível didático, equipamentos e êxito em ensinar; assim como um grande mestre de artes marciais.
Confesso, assim foi o primeiro ano, eu ficava eufórico, espantado de admiração de alguns professores e do conhecimento. Os limites, o Teorema Fundamental do Cálculo, Séries Infinitas, Teorema de Taylor, derivadas, o espaço vetorial. A matemática me fascinou.
Um dia, e não só um dia, uma aula de física, com professores tão incrivelmente reconhecidos pelo IF-USP. E, de repente, lá estava uma aula e 40 min. de álgebra pesada, cálculos, derivadas e limites, para provar, demonstrar um conceito, uma formula de física. E aí, de repente, o professor pergunta: “Dúvidas?” E um aluno, falando por todos os demais da matemática, diz:
- “Professor, por que você cancelou o E2 e simplificou assim?”
Então o professor responde:
- “Isso talvez seja difícil para vocês matemáticos compreenderem e aceitarem, mas para nós, físicos, é comum fazer isso, pois isso é desprezível, não vai interferir muito, com os experimentos vemos que não interfere quase nada; então por isso nós anulamos, pois dificultaria as contas, e talvez não chegássemos a lugar nenhum, mas por ser desprezível.”
E outro aluno, matemático, retruca:
- “Mas se cancelou, porque você não atribui o valor 0 (zero) ao invés de 1 (um), pois se tratando de uma multiplicação, todo o sistema resultaria em zero, não dando em nada.”
E o professor, com pernas curtas e quase soando frio, mas treinado/condicionado a dizer isso, responde:
- “Porque o 1 é um valor neutro da multiplicação. E usamos isso por conveniência; há um modelo que prova que é isso. Pois, também, não faria muito sentido chegarmos até aqui e atribuir o valor zero a função.”
Talvez todos alunos de matemática ficaram abismado com aquilo, como eu fiquei: “Como assim, conveniente?” (Longe de minha idealização era se fazer ciência subjetivamente, para aquilo que fosse conveniente.) Mas o enfoque, o currículo da matéria não era discutir, questionar, por a prova essas coisas que “uma vez já foram provadas [ou aprovadas?]” e que se tornou parte do paradigma cientifico. Aliás, quem é um aluno de graduação para dar opinião, diante de um doutor, ou pós-doutor? Pois o enfoque era saber “como usar” tais paradigmas, formulas, conceitos, para resolver alguns problemas. E se não usasse tais formulas, usaria o quê? E na hora da prova? – Preciso passar na matéria; e não ficar de REC ou DP.
Essa foi a primeira experiência com a Física que foi contraditório a todo aquele sonho com o qual eu imaginava a ciência. E foi quando comecei a ter certo rancor pela Física e a não levar os físicos com muita credibilidade. Aliás, quantas piadas e rixas não há entre os físicos e os matemáticos devido a essas coisas?
Segundo ano, e mais maravilhado ainda fiquei eu quando descobri que era possível descobrir a integral de uma função através de métodos estatísticos e “chutes aleatórios” (aliás, outro paradigma é esse, o de existir chute aleatório fora da virtuosa lógica da matemática); com o famoso Método de Monte Carlo. Assim como quando descobri modos de se chegar a resultados através de chutes, ou sabendo lidar e medir o erro, por exemplo, com o Taylor; ou com métodos simples.
Exemplo.
Seja sqrd(n) = raiz quadrada de n, e Chute = C, e Erro = E.
sqrd(n) = Chute + Erro
(sqrd(n))^2 = (C + E)^2
n = C^2 + 2CE + E^2 (E^2 tende a zero com a aproximação, logo, atribuo o valor de 0)
n = C^2 + 2CE + 0
2CE = n - C^2
E = (n - C^2) / 2C
Ou seja, encontro o valor do erro, para o seu chute.
Então:
Sqrd(N) = C + (N - C^2) / 2C
Simplificando chegamos em:
Sqrd(N) = (C^2 + N)/2C
Ou seja, eliminei o erro da história. Agora, calculo a raiz quadrada de um numero (n) em função do meu chute (c). Mas essa função não é exata; pelo contrário, ela TENDE ao valor exato. Como ela lida com o erro, sua repetição com a aproximação, tende a dar o valor num certo momento. Exemplo:
Raiz quadrada de 9.
Chute = 4
Então: Sqrd(9) = 3,125 (já chegou perto)
Segunda aproximação, chute = 3.125
Sqrd(9) = 3.0025
Terceira aproximação, chute = 3.0025
Sqrd(9) = 3.000001
Quarta aproximação, chute = 3.000001
Sqrd(9) = 3,00000000000017
Logo, percebe-se que seu limite tende a ser 3. Ou seja, se pode deduzir que a raiz quadrada de 9 é 3
[ Veja: Métodos interessantes de calcular a Raiz Quadrada ]
Incrível. Extraordinário. Posso descobrir o valor das coisas até mesmo no chute!
Contudo, isso em âmbitos da matemática, completa, rigorosa, absoluta. Mas e na Física?
Bem, há a famosa piadinha:
Talvez por culpa do currículo da graduação, da filosofia dos professores, ou mesmo por aquela triste coisa de querer validar a área de pesquisa e trabalho; que muitas vezes se torna o ganha pão, o seu tempo, a sua vida; diante do risco (sempre presente) de tudo não passar de nada. Pois simplesmente a idéia pode deixar de existir, ser coisa do passado, diante das “Revoluções Cientificas”, a troca de paradigmas, segundo Kuhn.
USP, e lá vou eu totalmente empolgado, como se estivesse entrando no Terceiro Céu, onde teria acesso a tão maravilhosa ciência; aquela coisa tão objetiva, exata, perfeita, desenvolvido pelas pessoas mais incríveis do mundo, talvez aqueles que deveriam ocupar Olímpio e que certamente deveriam ter a mais incrível didático, equipamentos e êxito em ensinar; assim como um grande mestre de artes marciais.
Confesso, assim foi o primeiro ano, eu ficava eufórico, espantado de admiração de alguns professores e do conhecimento. Os limites, o Teorema Fundamental do Cálculo, Séries Infinitas, Teorema de Taylor, derivadas, o espaço vetorial. A matemática me fascinou.
Um dia, e não só um dia, uma aula de física, com professores tão incrivelmente reconhecidos pelo IF-USP. E, de repente, lá estava uma aula e 40 min. de álgebra pesada, cálculos, derivadas e limites, para provar, demonstrar um conceito, uma formula de física. E aí, de repente, o professor pergunta: “Dúvidas?” E um aluno, falando por todos os demais da matemática, diz:
- “Professor, por que você cancelou o E2 e simplificou assim?”
Então o professor responde:
- “Isso talvez seja difícil para vocês matemáticos compreenderem e aceitarem, mas para nós, físicos, é comum fazer isso, pois isso é desprezível, não vai interferir muito, com os experimentos vemos que não interfere quase nada; então por isso nós anulamos, pois dificultaria as contas, e talvez não chegássemos a lugar nenhum, mas por ser desprezível.”
E outro aluno, matemático, retruca:
- “Mas se cancelou, porque você não atribui o valor 0 (zero) ao invés de 1 (um), pois se tratando de uma multiplicação, todo o sistema resultaria em zero, não dando em nada.”
E o professor, com pernas curtas e quase soando frio, mas treinado/condicionado a dizer isso, responde:
- “Porque o 1 é um valor neutro da multiplicação. E usamos isso por conveniência; há um modelo que prova que é isso. Pois, também, não faria muito sentido chegarmos até aqui e atribuir o valor zero a função.”
Talvez todos alunos de matemática ficaram abismado com aquilo, como eu fiquei: “Como assim, conveniente?” (Longe de minha idealização era se fazer ciência subjetivamente, para aquilo que fosse conveniente.) Mas o enfoque, o currículo da matéria não era discutir, questionar, por a prova essas coisas que “uma vez já foram provadas [ou aprovadas?]” e que se tornou parte do paradigma cientifico. Aliás, quem é um aluno de graduação para dar opinião, diante de um doutor, ou pós-doutor? Pois o enfoque era saber “como usar” tais paradigmas, formulas, conceitos, para resolver alguns problemas. E se não usasse tais formulas, usaria o quê? E na hora da prova? – Preciso passar na matéria; e não ficar de REC ou DP.
Essa foi a primeira experiência com a Física que foi contraditório a todo aquele sonho com o qual eu imaginava a ciência. E foi quando comecei a ter certo rancor pela Física e a não levar os físicos com muita credibilidade. Aliás, quantas piadas e rixas não há entre os físicos e os matemáticos devido a essas coisas?
Segundo ano, e mais maravilhado ainda fiquei eu quando descobri que era possível descobrir a integral de uma função através de métodos estatísticos e “chutes aleatórios” (aliás, outro paradigma é esse, o de existir chute aleatório fora da virtuosa lógica da matemática); com o famoso Método de Monte Carlo. Assim como quando descobri modos de se chegar a resultados através de chutes, ou sabendo lidar e medir o erro, por exemplo, com o Taylor; ou com métodos simples.
Exemplo.
Seja sqrd(n) = raiz quadrada de n, e Chute = C, e Erro = E.
sqrd(n) = Chute + Erro
(sqrd(n))^2 = (C + E)^2
n = C^2 + 2CE + E^2 (E^2 tende a zero com a aproximação, logo, atribuo o valor de 0)
n = C^2 + 2CE + 0
2CE = n - C^2
E = (n - C^2) / 2C
Ou seja, encontro o valor do erro, para o seu chute.
Então:
Sqrd(N) = C + (N - C^2) / 2C
Simplificando chegamos em:
Sqrd(N) = (C^2 + N)/2C
Ou seja, eliminei o erro da história. Agora, calculo a raiz quadrada de um numero (n) em função do meu chute (c). Mas essa função não é exata; pelo contrário, ela TENDE ao valor exato. Como ela lida com o erro, sua repetição com a aproximação, tende a dar o valor num certo momento. Exemplo:
Raiz quadrada de 9.
Chute = 4
Então: Sqrd(9) = 3,125 (já chegou perto)
Segunda aproximação, chute = 3.125
Sqrd(9) = 3.0025
Terceira aproximação, chute = 3.0025
Sqrd(9) = 3.000001
Quarta aproximação, chute = 3.000001
Sqrd(9) = 3,00000000000017
Logo, percebe-se que seu limite tende a ser 3. Ou seja, se pode deduzir que a raiz quadrada de 9 é 3
[ Veja: Métodos interessantes de calcular a Raiz Quadrada ]
Incrível. Extraordinário. Posso descobrir o valor das coisas até mesmo no chute!
Contudo, isso em âmbitos da matemática, completa, rigorosa, absoluta. Mas e na Física?
Bem, há a famosa piadinha:
Havia um físico experimental, um físico teórico e um matemático num trem. Ao passarem pelo pasto o físico experimental diz:
- Olhem aquelas ovelhas pretas no pasto. Essa é uma região de grande presença de ovelhas pretas.
Então o físico teórico ri do experimental, e diz:
- Não, você está enganado. Podemos dizer que apenas as ovelhas desse grupo nesse pasto é que são pretas.
Então o matemático, toma a palavra da vez e diz:
- Os dois estão completamente enganados. A informação que temos é que apenas, exatamente a parte, o lado, que nos é visível dessas ovelhas, é preta; o outro pode ser branco.
Porém, numa visão ainda mais rigorosa, a rigor máximo da matemática sem deixar variáveis de lados; algo mais a rigor do Evandro, deixando paradigmas de lado, diria o seguinte:
“Aparentemente, podemos afirmar que, se nossa mente está perfeitamente sã, assim como nossos olhos (um valor e estado não mensurado, nem definido); de acordo com supostos raios solares que refletem em todas as coisas do ambiente inclusive nesses supostos animais (pois podem ser robôs, ou placas, ou mesmo uma pintura em especial na janela, ou uma ilusão ótica; apesar disso tender ao absurdo e pouco provável) que nos chegam aos olhos (levando em conta a distorção pelo vidro, pela poluição do ar, efeitos das moléculas de vapor d água que há no ar; e diversas outras variáveis que ignoramos, não reconhecemos no momento, ou não foram sequer descobertas, além da possibilidade do acaso), a área correspondente a projeção da superfície que é ocular para nós desses animais, parecem com uma cor que tende ao preto. Havendo a possibilidade deles estarem sujos com algo também.”
Mas a verdade é que o método cientifico pouco se enquadra nessa perspectiva rigorosa de se considerar todos os fatores possíveis e desconhecidos. Pois aliás, caso fosse assim, parece que nunca andaria para direção alguma, pois não se consegue concluir muita coisa.
O método cientifico possui várias limitações e há várias obras de teóricos, de filósofos da ciência e cientistas que relatam isso (dê uma olhada em “A Lógica da Pesquisa Cientfica” de K. Popper). Talvez, a de maior efeito seja a limitação da amostra e a segunda, que considero, é a impossibilidade de realizar um experimento.
1. Na experiência, temos alguns objetivos, um deles é o de se chegar a resultados. E de fato, cada experiência resulta em algo, um resultado. Mas o problema é o de buscar admitir algo além disso. Exemplo: Na experiência você quer verificar o que acontece se você joga uma pedra do décimo andar e calcular como varia a sua velocidade até colidir com o chão. E ai você repete muitas vezes (amostra) o experimento, tendo resultados. Ai você “interpreta” os dados, modelando curvas, funções etc, de modo que você chega em Leis Físicas, como o da gravidade. Porém, há um conflito, um dilema, pois pode se admitir que isso é universal, baseado apenas numa amostra? Um físico, talvez um estatístico, admitiria que sim; mas a máximo rigor da matemática não; pois a amostra é limitada. No mínimo teria que se verificar com “todas pedras” do Universo. Mas isso não é praticável no momento; ao mesmo tempo, há a possibilidade de, de repente, haver ou acontecer algo, seja na Terra ou em outro lugar, que altere a coisa de tal modo, que aconteça um outro fenômeno, que derrube, por si, a teoria gravitacional.
2. Falar sobre o passado é outro grande problema. Um fóssil é encontrado. E a partir dele, tenta-se deduzir como foi o passado. Ai sim, vemos um show de especulações e paradigmas. Como os métodos de datação que são impossíveis de serem verificados. Por exemplo, desenvolvo um método baseado nesse e nesse paradigma, que diz que a cada x disso são 100 anos de vida com uma incerteza de +- 5 anos. Bem, e como fica na hora de testar? Não há como, pois não tem como – pelo menos por enquanto – voltarmos ao passado, a origem, e testar para todos os casos, em cada t (unidade mínima de tempo) da história se é isso o que ocorre, até os dias de hoje..Ainda assim, há a possibilidade intrínseca de ser coincidência. O mínimo que se pode fazer, mínimo, é fazer vários experimentos hoje, e daqui 100 anos começar a verificar os resultados (contudo, sempre limitado a uma amostra). E mesmo assim, seria preciso admitir que o que vale para o presente e futuro, vale para o passado.
Em comparação, a matemática pode-se provar muitas coisas, usando-se da indução infinita, por exemplo; o qual testa para todos os números. E alguns também tentam por fazer isso nas experiências; jogam lá os métodos matemáticos de indução infinita, ou limite; crendo que obedecerá esse comportamento na prática. Mas o que garante? Nada. Ao mesmo tempo, é difícil verificar se algo é falso, pois qual a credibilidade da “prova” que contradiz a questão? Pois a principio, o fóssil em si também não diz nada, nem a favor, nem contra; mas muitas vezes, sugere algo; por exemplo, qual era o seu tamanho. Pois se vemos um esqueleto de 10m de altura, podemos considerar que ele tinha por volta dessa altura; fica difícil considerar que ele tinha 1 polegada, pois nunca vimos tal fenômeno, nem uma teoria, nem um modelo biológico, no qual podeira se defender uma idéia que quando morto e soterrado por camadas de lava, ou barro, a estrutura óssea do bichinho aumentaria para um ser de 10m. Contudo, por mais absurdo que pareça diante de “nossas crenças”, “nosso histórico de conhecimento”, “nossas observações”, não há nada que possa afirmar com 100% de certeza que essa possibilidade não existe.
Na Estatística, quanto aos estimadores, há algo muito interessante chamado de Intervalo de Confiança (IC). Contudo é intrigante a sua interpretação. Pois se para uma amostra = 200 de uma população, temos uma margem num IC = 95%; o FATO que podemos concluir é a margem de confiança para “aquela amostra” e não para a população. Pois, para se saber a verdadeira probabilidade com IC = 95% de toda população, seria necessário analisar 95% das amostras correspondentes a 95% da população. Logo, qual a verdadeira medida? Nunca se sabe! Nem mesmo fazendo um senso em todo o território se consegue, pois há várias variáveis que tornam imperfeito a amostra, na prática. E quando a população tende ao infinito? Que parcela, que amostra, representam nossas observações, pesquisas, informações, conhecimento do Universo, do todo, da verdade? Logo, que loucura é o homem confiar no homem, e no que esse produz.
Diante disso os “primitivos” profetas já diziam:
“Deixai-vos do homem cujo fôlego está em suas narinas; pois em se deve ele estimar?” (Isa. 2:22)
“Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo!”
Ai dos que säo sábios a seus próprios olhos, e prudentes diante de si mesmos!
Ai dos que säo poderosos para beber vinho, e homens de poder para misturar bebida forte;
Dos que justificam ao ímpio por suborno, e aos justos negam a justiça!”
(Isa. 5:20-23)
Ou seja, por fim chegamos a uma questão, que por mais absurda que pareça, é totalmente real em vista o acaso: A cada fôlego de vida nós só respiramos, porque consideramos (ou não pensamos) que no próximo não morreremos.
É uma questão de confiança, de acreditar, de crença, de metafísica, talvez de fé.
A Ciência desfila como se tivesse as respostas, quando apenas tem uma amostra de resultados.
- Olhem aquelas ovelhas pretas no pasto. Essa é uma região de grande presença de ovelhas pretas.
Então o físico teórico ri do experimental, e diz:
- Não, você está enganado. Podemos dizer que apenas as ovelhas desse grupo nesse pasto é que são pretas.
Então o matemático, toma a palavra da vez e diz:
- Os dois estão completamente enganados. A informação que temos é que apenas, exatamente a parte, o lado, que nos é visível dessas ovelhas, é preta; o outro pode ser branco.
Porém, numa visão ainda mais rigorosa, a rigor máximo da matemática sem deixar variáveis de lados; algo mais a rigor do Evandro, deixando paradigmas de lado, diria o seguinte:
“Aparentemente, podemos afirmar que, se nossa mente está perfeitamente sã, assim como nossos olhos (um valor e estado não mensurado, nem definido); de acordo com supostos raios solares que refletem em todas as coisas do ambiente inclusive nesses supostos animais (pois podem ser robôs, ou placas, ou mesmo uma pintura em especial na janela, ou uma ilusão ótica; apesar disso tender ao absurdo e pouco provável) que nos chegam aos olhos (levando em conta a distorção pelo vidro, pela poluição do ar, efeitos das moléculas de vapor d água que há no ar; e diversas outras variáveis que ignoramos, não reconhecemos no momento, ou não foram sequer descobertas, além da possibilidade do acaso), a área correspondente a projeção da superfície que é ocular para nós desses animais, parecem com uma cor que tende ao preto. Havendo a possibilidade deles estarem sujos com algo também.”
Mas a verdade é que o método cientifico pouco se enquadra nessa perspectiva rigorosa de se considerar todos os fatores possíveis e desconhecidos. Pois aliás, caso fosse assim, parece que nunca andaria para direção alguma, pois não se consegue concluir muita coisa.
O método cientifico possui várias limitações e há várias obras de teóricos, de filósofos da ciência e cientistas que relatam isso (dê uma olhada em “A Lógica da Pesquisa Cientfica” de K. Popper). Talvez, a de maior efeito seja a limitação da amostra e a segunda, que considero, é a impossibilidade de realizar um experimento.
1. Na experiência, temos alguns objetivos, um deles é o de se chegar a resultados. E de fato, cada experiência resulta em algo, um resultado. Mas o problema é o de buscar admitir algo além disso. Exemplo: Na experiência você quer verificar o que acontece se você joga uma pedra do décimo andar e calcular como varia a sua velocidade até colidir com o chão. E ai você repete muitas vezes (amostra) o experimento, tendo resultados. Ai você “interpreta” os dados, modelando curvas, funções etc, de modo que você chega em Leis Físicas, como o da gravidade. Porém, há um conflito, um dilema, pois pode se admitir que isso é universal, baseado apenas numa amostra? Um físico, talvez um estatístico, admitiria que sim; mas a máximo rigor da matemática não; pois a amostra é limitada. No mínimo teria que se verificar com “todas pedras” do Universo. Mas isso não é praticável no momento; ao mesmo tempo, há a possibilidade de, de repente, haver ou acontecer algo, seja na Terra ou em outro lugar, que altere a coisa de tal modo, que aconteça um outro fenômeno, que derrube, por si, a teoria gravitacional.
2. Falar sobre o passado é outro grande problema. Um fóssil é encontrado. E a partir dele, tenta-se deduzir como foi o passado. Ai sim, vemos um show de especulações e paradigmas. Como os métodos de datação que são impossíveis de serem verificados. Por exemplo, desenvolvo um método baseado nesse e nesse paradigma, que diz que a cada x disso são 100 anos de vida com uma incerteza de +- 5 anos. Bem, e como fica na hora de testar? Não há como, pois não tem como – pelo menos por enquanto – voltarmos ao passado, a origem, e testar para todos os casos, em cada t (unidade mínima de tempo) da história se é isso o que ocorre, até os dias de hoje..Ainda assim, há a possibilidade intrínseca de ser coincidência. O mínimo que se pode fazer, mínimo, é fazer vários experimentos hoje, e daqui 100 anos começar a verificar os resultados (contudo, sempre limitado a uma amostra). E mesmo assim, seria preciso admitir que o que vale para o presente e futuro, vale para o passado.
Em comparação, a matemática pode-se provar muitas coisas, usando-se da indução infinita, por exemplo; o qual testa para todos os números. E alguns também tentam por fazer isso nas experiências; jogam lá os métodos matemáticos de indução infinita, ou limite; crendo que obedecerá esse comportamento na prática. Mas o que garante? Nada. Ao mesmo tempo, é difícil verificar se algo é falso, pois qual a credibilidade da “prova” que contradiz a questão? Pois a principio, o fóssil em si também não diz nada, nem a favor, nem contra; mas muitas vezes, sugere algo; por exemplo, qual era o seu tamanho. Pois se vemos um esqueleto de 10m de altura, podemos considerar que ele tinha por volta dessa altura; fica difícil considerar que ele tinha 1 polegada, pois nunca vimos tal fenômeno, nem uma teoria, nem um modelo biológico, no qual podeira se defender uma idéia que quando morto e soterrado por camadas de lava, ou barro, a estrutura óssea do bichinho aumentaria para um ser de 10m. Contudo, por mais absurdo que pareça diante de “nossas crenças”, “nosso histórico de conhecimento”, “nossas observações”, não há nada que possa afirmar com 100% de certeza que essa possibilidade não existe.
Na Estatística, quanto aos estimadores, há algo muito interessante chamado de Intervalo de Confiança (IC). Contudo é intrigante a sua interpretação. Pois se para uma amostra = 200 de uma população, temos uma margem num IC = 95%; o FATO que podemos concluir é a margem de confiança para “aquela amostra” e não para a população. Pois, para se saber a verdadeira probabilidade com IC = 95% de toda população, seria necessário analisar 95% das amostras correspondentes a 95% da população. Logo, qual a verdadeira medida? Nunca se sabe! Nem mesmo fazendo um senso em todo o território se consegue, pois há várias variáveis que tornam imperfeito a amostra, na prática. E quando a população tende ao infinito? Que parcela, que amostra, representam nossas observações, pesquisas, informações, conhecimento do Universo, do todo, da verdade? Logo, que loucura é o homem confiar no homem, e no que esse produz.
Diante disso os “primitivos” profetas já diziam:
“Deixai-vos do homem cujo fôlego está em suas narinas; pois em se deve ele estimar?” (Isa. 2:22)
“Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo!”
Ai dos que säo sábios a seus próprios olhos, e prudentes diante de si mesmos!
Ai dos que säo poderosos para beber vinho, e homens de poder para misturar bebida forte;
Dos que justificam ao ímpio por suborno, e aos justos negam a justiça!”
(Isa. 5:20-23)
Ou seja, por fim chegamos a uma questão, que por mais absurda que pareça, é totalmente real em vista o acaso: A cada fôlego de vida nós só respiramos, porque consideramos (ou não pensamos) que no próximo não morreremos.
É uma questão de confiança, de acreditar, de crença, de metafísica, talvez de fé.
A Ciência desfila como se tivesse as respostas, quando apenas tem uma amostra de resultados.

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